Solidariedade em meio à dor
“Você chega com uma palavra, um abraço, uma cesta e percebe que em meio à destruição, consegue ver sorrisos nos rostos dessas pessoas”, conta Elmírio Eduardo de Almeida, 38 anos, sobre os atos de solidariedade após a tragédia que deixou 16 mortos, três desaparecidos e centenas de desabrigados em Mariana.
O caminhoneiro se envolve em ações de diferentes situações de calamidade pelo país. Por ter um jipe com facilidade para se deslocar, ele oferece ajuda àqueles que querem doar mas não têm condições de chegar a lugares precários.
Elmírio saiu do Mato Grosso e foi aos distritos atingidos para resgatar vítimas, em apoio ao Corpo de Bombeiros. Desde então, compra e recolhe donativos para levar aos que perderam tudo. Ele e quem o acompanha nas “missões” consultam os moradores para descobrir do que estão precisando.
O período de duração de alimentos, remédios e água é considerado para que a próxima carga chegue no tempo certo. “A solidariedade parte das pessoas que estão na sua zona de conforto e se sentem incomodadas quando veem alguém em sofrimento. Parte das pessoas de bom coração”, define.
O caminhoneiro prefere entregar os donativos pessoalmente a quem necessita. Segundo ele, com esse trabalho voluntário pode ter contato humano e experimentar a sensação de dever cumprido. “Isso me faz muito bem, me sinto feliz e me gratifica muito.” Para Elmírio, todos devem estar unidos para que a cooperação tenha mais força.
“Toda ajuda é bem-vinda para essas pessoas. Vamos nos por no lugar delas, porque um dia podemos precisar também.”
Mobilização
Os pontos oficiais de recolhimento de doações foram criados pela Prefeitura de Mariana em parceria com Defesa Civil de Minas Gerais, Corpo de Bombeiros e Cruz Vermelha.
Após a tragédia, moradores se voluntariaram para organizar os itens recebidos e amenizar o caos instalado. Com o apoio deles, os galpões foram estruturados aos poucos.
Segundo o secretário adjunto de Desenvolvimento Social e Cidadania de Mariana, João Paulo Batista, hoje a maioria dos que fazem esse trabalho são servidores públicos municipais.
As doações foram armazenadas no Centro de Convenções e cerca de 944 pessoas podem recebê-las. Triagens foram realizadas pela Assistência Social para identificar as necessidades reais dos atingidos.
Entre os donativos, estão arroz (230 kg), feijão (197 kg), colchões (111), produtos de higiene (2104) e água (84,3 mil litros). A Samarco disponibiliza transporte para as famílias buscarem as doações. Em média, elas pegam o que precisam duas vezes por semana e os idosos comparecem menos.
A mineradora é responsável por mobiliar as casas alugadas para os desabrigados e arcar com os utensílios domésticos e enxovais. Ainda assim, quando foram encaminhadas para os imóveis, as vítimas procuraram cestas básicas e roupas de cama no Centro de Convenções.
A empresa abastece as casas com alimentos perecíveis, como iogurtes e frutas. Porém, a Samarco não se compromete mais com o suprimento após a entrega do cartão de auxílio financeiro. Ele contém um salário mínimo por família, mais 20% para cada dependente e o valor de uma cesta básica.
Até o fechamento do LAMPIÃO, 754 pessoas haviam sido alojadas. Três contas bancárias foram abertas pela Prefeitura para contribuições em dinheiro. Elas continuam ativas e o arrecadamento foi de aproximadamente R$ 1 milhão.
O recebimento de donativos foi interrompido no dia 15 de novembro, por causa do acúmulo. João Paulo Batista afirmou que a decisão foi tomada para que tudo seja contabilizado e distribuído com eficiência.
Apesar de a campanha estar finalizada, três carregamentos de doações chegaram na semana do dia 11 de dezembro. O secretário diz que os órgãos públicos não têm como controlar ações independentes porque o ato de doar é espontâneo.
Ele acredita que os que preferem contribuir assim têm medo de que as coisas não cheguem até quem precisa. A grande arrecadação em Mariana possibilitou que donativos fossem direcionados para outras cidades, como Barra Longa e Governador Valadares.


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